Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado ( maligno ) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se ( metástase ) para outras regiões do corpo. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas . Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida.
Causas
Em muitos aspectos, o câncer é uma obra do acaso, uma infeliz convergência de um erro genético com agressão ambiental. Ambiente, neste contexto, refere-se a qualquer causa externa, e não apenas o ar, a água e o solo.
De fato, ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, o câncer não está "ao nosso redor". Apenas 2% das mortes por câncer são causadas pela poluição ambiental. O fator predominante é, sem dúvida, o comportamento humano - tabagismo, maus hábitos alimentares, sedentarismo - responsável por quatro em cada cinco casos de câncer.
Causa
Porcentagem nas mortes por câncer
Associada com estes tipos de câncer
Tabaco
30%
Pulmão, esôfago, laringe, garganta, cavidade oral, bexiga, rim, pâncreas
Maus hábitos alimentares e obesidade
30%
Mama, cólon, reto, próstata, endométrio (útero), ovário, intestino delgado
Sedentarismo
5%
Cólon, próstata, mama, endométrio (útero), ovário
Herança genética
5%
Mama, ovário, cólon, próstata, pulmão, pâncreas, rim, estômago, tireóide, melanoma, cérebro, sarcomas de partes moles, fígado, leucemia, linfomas
Vírus e outros agentes infecciosos
5%
Fígado, colo do útero, linfomas, nasofaringe, sarcomas de partes moles, estômago, leucemia
Carcinógenos ocupacionais
(da profissão)5%
Pulmão e pleura, bexiga, pele, laringe, cavidade nasal, leucemia, garganta, linfomas, fígado, sarcomas de partes moles
Etilismo
3%
Fígado, cavidade oral, laringe, garganta, esôfago, mama
História reprodutiva
(exposição a hormônios e outros fatores)3%
Mama, endométrio (útero), colo do útero, ovário
Poluição ambiental
2%
Pulmão
Radiação ambienal
(solar)2%
Melanoma e pele em geral
Sal, aditivos alimentares e contaminantes
1%
Estômago, fígado, intestino delgado
Tratamentos médicos prévios
(radioterapia, quimioterapia, imunossupressão, terapia hormonal)1%
Leucemias, tireóide, mama, cérebro, bexiga, linfomas, sarcomas de partes moles, endométrio (útero)
Outros fatores em geral
8%
São raros os casos de cânceres que se devem exclusivamente a fatores hereditários, familiares e étnicos, apesar de o fator genético exercer um importante papel na oncogênese. Um exemplo são os indivíduos portadores de retinoblastoma que, em 10% dos casos, apresentam história familiar deste tumor.Alguns tipos de câncer de mama, estômago e intestino parecem ter um forte componente familiar, embora não se possa afastar a hipótese de exposição dos membros da família a uma causa comum. Determinados grupos étnicos parecem estar protegidos de certos tipos de câncer: a leucemia linfocítica é rara em orientais, e o sarcoma de Ewing é muito raro em negros.
O câncer tem cura?
Como toda doença, há casos que têm cura e outros que não. A probabilidade de cura depende basicamente do tipo de câncer e do seu estágio . Alguns tumores malignos como os de pele, linfomas de Hodgkin e seminomas de testículo, têm alto índice de cura mesmo em fases avançadas.
Outros, como câncer do pulmão, do estômago, e do pâncreas, costumam ter resultados ruins na maior parte das vezes, mesmo quando detectados em estágios mais iniciais. Isto porque são tumores que se espalham rapidamente pelo sangue, para outros lugares do corpo ou insistem em voltar, apesar dos tratamentos disponíveis.
A maior parte dos tumores malignos tem alto índice de cura, com poucas complicações, se o diagnóstico é feito precocemente. Ao contrário, quando o diagnóstico é tardio, tem baixo índice de cura e usualmente mais complicações.
É importante lembrar que mesmo pacientes que não têm cura podem viver por muitos anos e com excelente qualidade de vida, com a doença controlada e tratada, como uma doença crônica . Isto é comum em oncologia, portanto, ainda mais por esta razão, todo caso de câncer, mesmo em fase adiantada, deve ser visto por um oncologista.
Uma das situações mais dramáticas pelas quais passam os médicos que tratam pacientes com câncer é a de reconhecer que não há mais possibilidade de tratamento curativo. Ou seja, nada conhecido pode curar o paciente. Muitas vezes o desespero do paciente ou da família acaba indo de encontro com interesses de charlatães que oferecem vários tipos de tratamentos alternativos sem nenhuma prova científica de benefício, mas que podem acabar com as economias da família e, mais que isso, piorar a qualidade de vida do paciente.
Câncer é a doença crônica mais curável hoje. Nos países desenvolvidos, cerca de 50% dos casos são curados. Infelizmente, no Brasil estima-se que este número seja menor, principalmente pelo fato de que os diagnósticos são feitos mais tardiamente.
Tratamento
O tratamento do câncer pode ser feito através de cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou transplante de medula óssea. Em muitos casos, é necessário combinar essas modalidades.
- Radioterapia
É um tratamento no qual se utilizam radiações para destruir um tumor ou impedir que suas células aumentem. Estas radiações não são vistas e durante a aplicação o paciente não sente nada. A radioterapia pode ser usada em combinação com a quimioterapia ou outros recursos usados no tratamento dos tumores.
- Quimioterapia
É um tipo de tratamento, em que se utilizam medicamentos para combater o câncer. Eles são aplicados, em sua maioria, na veia, podendo também ser dados por via oral, intramuscular, subcutânea, tópica e intratecal. Os medicamentos se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo as células doentes que estão formando o tumor e impedindo, também, que elas se espalhem pelo corpo.
- Transplante de medula óssea
É um tipo de tratamento proposto para algumas doenças malignas que afetam as células do sangue. Ele consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula.
As emoções podem causar tumores malignos?
Nos últimos anos, tem crescido a suspeita de que a mente tem um papel importante em influenciar o desenvolvimento do câncer. Uma teoria popular sugere que estados emocionais, como a depressão, podem estimular o crescimento de uma doença maligna. Outra teoria sustenta que o estresse e sentimentos negativos suprimem a função imunológica, que é tida como crucial para a prevenção da doença.
Uma grande indústria promove livros, artigos, vídeos, leituras e palestras dedicadas à proposição de que emoções, pensamentos e atitudes positivas podem manter o câncer à distância e mesmo derrotá-lo quando ele já se instalou.
Alguns pesquisadores psicológicos encontram alguns traços e agrupam-nos em uma "personalidade pró-câncer". Outros indicam estratégias mentais para derrotar a malignidade. De fato, até alguns estudos "mente-corpo" mais radicais chegam perto de culpar os doentes, por terem falhado na luta contra a doença.
A verdade científica destas afirmações é variável. Poucos estudos científicos mostram uma relação entre fatores mentais e o início ou desenvolvimento do câncer, e outros mostram que não existe nada relacionado. Críticos, ainda, mostram que os estudos que indicam a relação entre o status emocional e o câncer são mal desenhados e mal conduzidos.
No início de 2003 foi publicado o primeiro estudo com padrão científico rigoroso, que mostrou que mulheres que passaram por momentos de stress emocional apresentam chance maior do desenvolvimento de câncer de mama. Em especial, mulheres após o divórcio ou a morte do cônjuge apresentaram chances aumentadas da doença.
O que sabemos é que realmente deve existe algum impacto do estado emocional na progressão da doença. Os mecanismos exatos e em que doenças o impacto é maior ainda não sabemos ao certo.
Porém, comprovadamente, existe um modo em que as emoções podem afetar o risco de câncer de forma direta: o hábito de fumar, alcoolismo, e outros comportamentos ligados ao câncer às vezes representam uma alternativa que caminha junto com o estresse e depressão.